2. Fundamentação Teórica
A Síndrome foi caracterizada pela primeira vez pelo médico John Longdon em 1866, que caracterizou alguns dos traços característicos das pessoas com Síndrome de Down. As crianças com essa Síndrome eram, de início, chamadas de Mongolóides, devido às características físicas de olhos rasgados, dobras epicantais e nariz achatado.
A Síndrome de Down tem uma incidência de um em cada 700 a 800 nascimentos com anomalias, ou seja, de 1 a 3% da população do mundo. É importante salientar, que, somente, o exame do Cariótipo é que realmente comprova o cromossoma extra com um número total de 47, como resultante de uma trissomia do cromossoma 21. Cabe salientar, também, que há uma tendência espontânea para melhora desta anomalia genética. São observadas também de Cariótipo, certos traços fenotípicos.

Segundo o aspecto genético, existem três tipos de Síndrome de Down:
a) Trissomia simples – quando são observados os três cromossomos no par 21 em todas as células do indivíduo, ou seja, a pessoa tem de fato 47 cromossomos, ao invés de 46, que é o normal.
b) Translocação – em que se observa a Trissomia, mas nem todos os cromossomos trissômicos estão no par 21. Às vezes, o cromossoma extra se apresenta em outros pares, no 22 ou no 14, por exemplo.
c) Mosaicismo – em que, na divisão do óvulo fecundado, algumas células ficam com 47, outras com 46 cromossomos.
Não se sabe ainda o que causa a Síndrome. Costuma-se pensar que a idade avançada da mãe é um fator associado (embora saiba-se que a idade avançada da mãe implica, muitas vezes, idade avançada do pai). Entretanto, sabe-se que 80% das mães das crianças com Síndrome de Down estão abaixo dos 35 anos de idade, visto que a gravidez acima dos 35 não é muito freqüente. De qualquer maneira, o que preconiza é que os dados existentes em relação à idade materna como fator associado indicam a propensão de maior risco, mas não identificam a causa da Síndrome.
O retardo mental é o aspecto predominante na Síndrome de Down. A maioria dos pacientes pertencem aos grupos de retardo moderado e severo, com apenas uma minoria tendo um Q.I. acima de 50. Os escores de Q.I. diminuem gradualmente desde quase normal com 1 ano de idade, até aproximadamente 30, mais tarde. Este declínio na inteligência pode ser real ou aparente. De acordo com muitas fontes, os pacientes com a Síndrome de Down são dóceis, alegres e cooperativos, o que facilita o seu ajustamento no lar. O quadro, entretanto, parece alterar-se nos adolescentes, especialmente nos institucionalizados, que podem desenvolverem várias dificuldades emocionais, perturbações de comportamento e (raramente) doenças psicóticas.
A expectativa de vida costuma ser de 12 anos com o advento dos antibióticos. Poucos pacientes jovens sucumbem a infecções, mas não vivem além dos 40 anos.
Os pacientes com Síndrome de Down tendem a apresentar uma deterioração acentuada na linguagem, memória, habilidades e soluções de problemas na casa dos 30 anos.
Muitas crianças com a Síndrome de Down nascem com defeito cardíaco e algumas têm anomalia intestinal. Correm maior risco que a média de terem hipofuncionamento da glândula tireóide e leucemia e têm freqüência crescente de instabilidade da junta do pescoço (impede certas atividades desportivas). Podem ter problemas de ouvido e ser suscetíveis a infecções. Os sintomas que se encontram nesses pacientes são os olhos puxados (em dobras da pele proeminente no canto interior das pálpebras); rosto pequeno, redondo e bochechas proeminentes; língua grande, que tende a protrair; parte de trás da cabeça lisa; membros flácidos; desenvolvimento lento físico; dificuldade de aprendizagem; pequena estatura; boca aberta; prognatismo freqüente; desenvolvimento sexual deficiente e hipernotilidade das articulações. Em termos de manifestações bucais estes pacientes possuem freqüentemente macroglossia com protusão da língua, assim como língua fissurada ou língua pedregosa devido ao aumento de volume das papilas. Comumente também possuem palato arqueado, fundo. Os dentes, às vezes, são malformados, sendo bastante comuns a hipoplasia do esmalte e a microdontia.
Limite é fronteira, mas por mais que sejam intransponíveis, muitas barreiras caem e muitos conseguem galgar um lugar na vida trabalhando para o seu próprio sustento e ser independente. Mas para que isso aconteça é necessário o apoio dos pais, dos irmãos, dos avós, enfim de toda família.
Você ira verificar que sua criança irá responder aos estímulos que a vida oferece com as mesmas alegrias, com as mesmas decepções, como toda criança "dita normal" age. Dê todo o amor possível a sua criança e você terá toda recompensa, acredite
ATENDIMENTO
ODONTOLÓGICO E MULTIDISCIPLINAR
DO
PACIENTE DEFICIENTE
O atendimento odontológico do paciente
deficiente apresenta algumas características que serão aqui abordadas, mas
inicialmente conceituamos o paciente deficiente mental o físico como sendo
aquele paciente que apresenta patologias com repercussões neurológicas e/ou
físicas tais como as síndromes genéticas (e.g. Síndrome de Down).
Uma vez que os familiares deste paciente são os responsáveis pela manutenção de sua saúde bucal é necessário frisar que muitas vezes algumas patologias podem não ser notadas pelos familiares (e.g. gengivites, pequenas cáries, traumas oclusais, etc.) e uma vez que o atendimento odontológico preventivo não é realizado devido às dificuldades operacionais do atendimento, há um maior comprometimento da saúde bucal com grandes repercussões locais (e.g. problemas periodontais, perdas dentárias, etc.) e sistêmicas (bacteremias, desnutrição, etc.) fazendo com que as dificuldades no atendimento e no atendimento e tratamento odontológico sejam cada vez maiores devido ao comprometimento do estado bucal e à amplitude das patologias associadas.
Para que haja um correto atendimento do paciente deficiente é necessário o concurso do Cirurgião Dentista e de outros profissionais de diferentes especialidades da área médica tais como: neurologia, oftalmologia, ortopedia, dentre outras; promovendo assim um atendimento global a esse paciente.
Uma vez que o paciente portador de patologias tais como: Deficiência Mental e/ou Física é um paciente que não colabora quando do atendimento odontológico, muitas vezes esse atendimento deve ser realizado sob anestesia geral em ambiente hospitalar propiciando assim, um melhor atendimento do ponto vista técnico. O Cirurgião Dentista pode nessa situação trabalhar de forma melhor e mais eficiente. A oportunidade de que outros especialistas (e.g. neurologista, oftalmologista, etc) possam efetuar o atendimento ao paciente, atendimento esse muitas vezes muito difícil ou mesmo impossível de ser realizado em condições normais de ambulatório, mas que são plenamente viáveis na situação de atendimento sob anestesia geral em ambiente hospitalar.
Acredita-se que há necessidade de um maior esclarecimento tanto da classe odontológica como dos responsáveis por pacientes portadores dessas patologias para que o atendimento odontológico seja realizado em melhores condições técnicas e com o concurso de outras especialidades médicas propiciando um atendimento global com significativa melhora da qualidade do tratamento odontológico realizado e reduzindo o sofrimento do paciente deficiente.